É incabível indenização por dano moral e material pela necessidade de contratar advogado
A necessidade de contratar
advogado para ajuizar ação trabalhista não gera direito de indenização por
danos morais e materiais. O entendimento da Quarta Turma do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) é que não há qualquer ato ilícito no caso a gerar a
responsabilidade do empregador.
Uma ex-funcionária do Banco Itaú buscou a Justiça alegando ter sofrido
prejuízos por irresponsabilidade do banco, que violou suas obrigações
patronais de pagar os salários devidos até o quinto dia do mês subseqüente ao
trabalhado, sofrendo, com isso, constrangimentos. Para ajuizar a reclamação
trabalhista, ela contratou advogado para processá-lo e pediu indenização da
instituição por danos materiais e morais devido à contratação.
O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) condenou o banco ao
pagamento de R$ 3 mil. Para os desembargadores, se a instituição descumpriu
suas obrigações trabalhistas, a funcionária tem pleno direito de escolher os
meios adequados e eficazes para buscar seus direitos e, conseqüentemente, ser
indenizada pelos gastos a que a instituição empregadora deu causa.
A decisão levou o banco a recorrer ao STJ. Para a instituição, não há dever de
indenizar a ex-funcionária pelos honorários advocatícios contratuais e
particulares, porque se estaria ampliando os ônus já devidos.
O ministro relator do processo, Aldir Passarinho Junior, entendeu ser
incabível a indenização por danos materiais e morais em razão da necessidade
de contratação de advogado para o ajuizamento de reclamatória trabalhista.
Isso porque os valores solicitados na ação trabalhista estavam em discussão,
tornando-se devidos somente após o trânsito em julgado da decisão e por isso
não foi caracterizado qualquer ato ilícito, o que afasta qualquer alegação de
ilegalidade a gerar o dever de reparar.
Entender diferente importaria o absurdo de se entender como prática de ato
ilícito qualquer pretensão contestada que venha a ser questionada
judicialmente, conclui o ministro. Até porque, ressalta o relator, a Justiça
trabalhista permite a postulação de direitos sem a assistência de advogado, o
que demonstra ser impertinente a ação que objetiva que o empregador vencido
arque com os honorários advocatícios decorrentes de contratação particular
realizada pela ex-funcionária.
Dessa forma, a Turma, acompanhando à unanimidade o voto do relator, julgou
improcedente o pedido de indenização por danos materiais e morais.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
Fonte: STJ:
http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=89806